20 anos

A semana passada passei uns dias em Portugal e em pelo menos duas ocasiões foi com se tivesse voltado atrás no tempo, – no bom sentido, claro – à boa moda portuguesa a mesa é a alegada metáfora para a reunião de família e amigos.

Diz-se que não se volta ao local do crime nem ao lugar onde se foi feliz. Balelas!

«Um dia a maioria de nós irá separar-se.
Sentiremos saudades de todas as conversas atiradas fora, das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que partilhámos.
Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das vésperas dos fins-de-semana, dos finais de ano, enfim… do companheirismo vivido.
Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.
Hoje já não tenho tanta certeza disso.
Em breve cada um vai para seu lado, seja pelo destino ou por algum desentendimento, segue a sua vida.
Talvez continuemos a encontrar-nos, quem sabe… nas cartas que trocaremos.
Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices…
Aí, os dias vão passar, meses… anos… até este contacto se tornar cada vez mais raro.
Vamo-nos perder no tempo…
Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e perguntarão:
Quem são aquelas pessoas?
Diremos… que eram nossos amigos e… isso vai doer tanto!
– Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons anos da minha vida!
A saudade vai apertar bem dentro do peito.
Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente…
Quando o nosso grupo estiver incompleto… reunir-nos-emos para um último adeus a um amigo.
E, entre lágrimas, abraçar-nos-emos.
Então, faremos promessas de nos encontrarmos mais vezes daquele dia em diante.
Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vida isolada do passado.
E perder-nos-emos no tempo…
Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades…
Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem
todos os meus amigos!”», Fernando Pessoa

Uma semana levada da breca

A semana passada foi cheia de peripécias e estive offline. Tive a companhia de um casal amigo, a quem abri a porta, como seria possível negar-me a abrir a porta a quem me trás um bacalhau. :)

Ele houve vampiros à solta, anões paquistanianos, boches com um grão na asa a “invadir” bares, cotovelos acima dos ombros, Nossas Senhoras, cerveja e vacas. Isto tudo só numa noite.

Na esplanada panoramica do aeroporto ouvia-se esta música durante o último café. Foi muito bom ter-vos cá!

Fiquei mais descansado

O post anterior tem um link para um outro post escrito na antiga morada deste blog, à dois anos atrás. Fui ver o que escrevia naquela altura e dou logo de caras com este post «Passei de fuga pelo televisor e reparo que a rapaziada no médio oriente anda outra vez na “brincadeira”. A última vez que o fizeram impediram-me de visitar Beirute, quase me apeteceu rebentar com qualquer coisa. Uma pessoa quando anda por aqueles lados acaba por inculcar certos hábitos. :) Essa memória levou-me às tardes no Cilantro, o jantar no Teatro, as conversas com a militância pela paz, a injustiça e o bem-estar destes povos. Ao titubear. Às tuas incursões em territórios ocupados. Onde andas tu, prática sonhadora e lutadora convertida? Espero que em segurança.»

Esta semana, no dia em que regressou o primeiro C-130 com os portugueses vindos do Cairo, a reportagem do telejornal mostrou imagens de gente aliviada, agora segura e longe da violência.

Lá estava ela, mais uma vez sã e salva, a abraçar a família.