Passed away but not forgotten

The great American jazz musician Dave Brubeck died just a day short of his 92nd birthday.

The amazing Brazilian architect Oscar Niemeyer died at 104.

The famous portuguese theater director Joaquim Benite died.

Rest in Peace.

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História do Brasil pelo método cínico

«O Brasil já existia antes de 1500. Era habitado por um povo bacana, de um ritmo único, corpos belos e bronzeados. A principal forma de lazer era correr atrás da Jurema ou ver a Iraci tomando banho de cachoeira.

Em 1500, vieram os Portugueses. Com a permissão de seus deuses, os lusitanos foram povoando o Brasil do litoral até a costa, deixando sempre uma Igrejinha ou uma padaria pelo caminho. Destruíram a cultura dos nativos e o pior: transformaram a Iraci e a Jurema em baratas de sacristia. Não é a toa que o país hoje tem o formato de um imenso bacalhau.

(…) E você achava que ironia é empregada doméstica se vingando da patroa na novela.»

“Pescador mexicano” em português tropicalizado

«Um turista passava suas férias no litoral, quando reparou em um pequeno barco na areia, que tinha acabado de voltar do mar.
Curioso, aproximou-se do pescador e perguntou:
-”Bom dia! Quanto tempo o senhor leva para pegar esses peixes?”
-”Não muito”.
-”Então por que o senhor não fica mais tempo no mar, pra pegar mais?”
O pescador explica que aquela quantidade é suficiente para suas necessidades, para cuidar da família.
-”Mas aí o senhor fica fazendo o que com o tempo que sobra?” insiste o turista.
“Ah, sei lá, depois de pescar eu arrumo minhas coisas, leio um pouco, brinco com meus meninos. Depois fico com a minha mulher… aí no fim do dia gosto de ficar vendo o sol baixar na água, depois encontro com uns camaradas meus lá na vila… vou curtindo a minha vidinha aqui”
O turista começa a enxergar um potencial enorme escondido naquela prainha e naquele pescador e interrompe animado:
-”Pois eu posso ajudar o senhor a ter uma vida boa de verdade! Vou explicar: eu sou um empresário muito bem sucedido, estudei nas melhores escolas e sei reconhecer um bom negócio. Isso aqui vale ouro. O senhor tem talento e juntos podemos transformar isso tudo”.
O pescador espreme os olhos, presta atenção e ele continua.
– “A gente faz assim: primeiro o senhor vai passar mais tempo pescando, vamos otimizar essa captação. Depois, esse volume adicional de peixes nós vamos trabalhar, vamos capitalizar. Rapidinho vai dar para investir em um barco maior. Um não, dois. Três até! Vamos ancorar uma frota inteira aqui. Nosso ROI vai ser fenomenal e vamos parar de vender para o mercado local. Pensar grande! A gente cria um site, monta um network poderoso, viraliza isso tudo e faz umas aproximações com as grandes fábricas. Ou melhor ainda, a gente arruma um angel pra montar nossa própria fábrica! Gênio! Gênio!”
-”Puxa!”, diz o pescador.
-”Peraí, tem mais! Depois dessa estruturada vamos cuidar da sua vida também! O senhor vai poder deixar esse vilarejozinho e ir morar em uma cidade grande, em uma casa enorme, com um carrão na garagem, hein? Já pensou? Viajar pro exterior…
-”E depois?” pergunta o pescador.
-”Depois? Ah… depois o senhor simplesmente vai ficar mi-li-o-ná-ri-o”
-”Milionário? Sério? E depois disso?
-”Seríssimo! Depois… ah… aí o senhor vai poder se aposentar… viver pro resto da vida de frente pro mar… pé na areia… ficar sossegado num vilarejo bonito… com seu barquinho particular… pescar uns peixinhos… ler na rede… ficar com sua esposa e com seus filhos… e passar as noites se divertindo com seus amigos…”»

Heleno

Heleno de Freitas foi jogador de futebol do Botafogo, uma estrela que mobilizava amores e ódios, não respeitava os colegas de equipa e humilhava os menos talentosos. Perseguia tudo quanto era rabo de saia mas tratava as mulheres como lixo. Fumava demais.

Quando se manifestaram os primeiros sintomas da sífilis recusou tratar-se, acabou por morrer louco. O único inimigo de Heleno foi ele próprio.

A história de “Heleno” tem uma moral. Se ele tivesse tratado a doença, sido mais calmo, fumado menos, bebido menos, menos feel o’right e outras coisas mais tudo teria terminado bem. Mas aí não havia história para contar.

Sagarana

Entrevista realizada ao escritor Guimarães Rosa a 24 de Novembro de 1966.

«Ainda continuo a gostar de Ca­milo, mas quem releio permanentemente é Eça de Queiroz (quando tenho uma gripe, faz mesmo parte da convalescença ler “Os Maias”; este ano já reli quase todo “O Crime do Padre Amaro” e parte da “Ilustre Casa de Ramires”). Camilo, leio-o como quem vai visitar o avô; Eça, leio-o como quem vai visitar a amante. Quando fui a Portugal pela primeira vez, eu só queria comidas ecianas (que gostosura, aquele jantar da Quinta de Tormes). Aliás deixe-me que lhe diga que me torno muito materialista quando penso em Portugal; penso logo nos bons vinhos, nas excelentes comidas que há por lá. E talvez seja também por isso que se há um país a que eu gostaria de voltar é Portugal…»

«Quando escrevo, não pen­so na literatura: penso em capturar coisas vivas. Foi a necessidade de capturar coisas vivas, junta à minha repulsa física pelo lugar-comum (e o lugar-comum nunca se confunde com a simplicidade), que me levou à outra necessidade íntima de enriquecer e embelezar a língua, tornando-a mais plástica, mais flexível, mais viva. Daí que eu não tenha nenhum processo em relação à criação linguística: eu quero aproveitar tudo o que há de bom na língua portuguesa, seja do Brasil, seja de Portugal, de Angola ou Mo­çambique, e até de outras línguas: pela mesma razão, recorro tanto às esferas populares como às eruditas, tanto à cidade como ao campo. Se certas palavras belíssimas como “gramado”, “aloprar”, pertencem à gíria brasileira, ou como “malga”, “azinhaga”, “azenha” só correm em Por­tugal — será essa razão suficiente para que eu as não empregue, no devido contexto?»