que seria…

«… partir sem data de volta, para uma outra banda, onde nem a maresia chegasse, quanto mais saber-te ao fundo. que seria, sem água que lave as poeiras, nem leito que espelhe as luas. sem o eco do cais nos sentidos.

réstia tua, desconsolo. sombra desta nossa vida. tempo que foste metade de mim à espera da mais muda noite, louvando em silêncio a mesma oração. e a ânsia do dia, essa ânsia do dia, sempre promessa, sempre canção. sobe, desce, rua, rio.

fosse e subir-te-ia as marés em lágrimas. e para me não ver ausente da luz que te faz em tela, bem firmes, fechar-me-ia os olhos, e meu braço, se acenasse, era a súplica em pessoa: deita-me uma amarra, cidade, segura-me a ti, Lisboa.», de Gui Abreu de Lima no Delito de Opinião.

Roubei a angústia que palmilhei pela Baixa de Lisboa no Sábado com a mala de cartão quase aviada.

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