Aos anjos e os santos

O caminho inexorável feito do desmantelamento das instituições da Nação, arrastará primeiro o estado depois a sociedade para o equivalente social dum desastre de comboio.

Os tempos de mármore e rococó acabaram, o sonho acordado e a negação trocam insultos nas assembleias. A intelectualidade visível sem agenda nem guarda-chuva raramente passa da lógica de primeira ordem.

«São vulgares os actos de pressentir a própria ou a alheia morte, vastas tragédias, moderados percalços e até dias favoráveis e horas apetecíveis. A questão que importa agora formular é a de saber se uma consciência poderá pressentir a sua aniquilação, isto é – tanto quanto a linguagem o permite –, a sua inteira redução a nada, o fim integral de si mesma, sem lugar a que se transforme em outra coisa, idêntica ou distinta, seja numa alegada consciência absoluta (se é que tal noção tem coerência), seja num suposto estado de nirvana (se é que tal conceito faz sentido). Se admitirmos que, no âmbito de um pressentimento, há sempre dois pólos – o sujeito que pressente e o objecto pressentido –, então somos obrigados a pensar na existência de uma relação entre eles – física ou mental, mágica ou de análogo teor –, inevitavelmente associada a um destino que põe o futuro a trocar mensagens com o passado, em proporção similar àquela com que põe o presente a trocar mensagens com o futuro. (…) Nenhuma consciência, pois, intui verdadeiramente que, em breve, se extinguirá por completo – apenas, quando muito, que está prestes a abandonar grande parte dos seus velhos hábitos. Ou, pelo menos, a condição terrena que os garante

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