Panem et Circenses

Hoje vou explicar a economia, a sociedade e a busca da felicidade. A busca ou a felicidade, logo se vê. Quando terminar, não haverão dúvidas, departamentos universitários inteiros encerrarão portas, por falta de objecto de estudo. Um amigo, ardente liberal, com estudos de teoria económica, diz coisas como “rendimentos comoditizados” e “expectativas adaptadas”, fico tão impressionado que quase lhe dou a carteira de cada vez que nos encontramos. Não tenho nada contra falar línguas, ele afirma que as empresas não querem que os governos interfiram com elas, o que ele chama de “distorção de mercado.” Eu consigo entendê-lo, não quero o governo a interferir na minha vida mas fiquei confuso, se os empresários não querem que o governo interfira no mercado, porque é que eles pagam a lobistas para fazer o governo interferir no mercado? Ele mudou de assunto, acho que ele estava distraído. Milton Friedman disse: “Não existe tal coisa, como um mercado livre,” (pode não ser exactamente o que ele disse. É o que ele teria dito se soubesse mais de economia). Quero dizer, assim que os capitalistas começam a ganhar dinheiro, compram o governo e começam na troca de fluidos com este. Os liberais dizem que é errado tirar dinheiro de quem produz e dá-lo aos que nada fazem, mas a falta de ética leis favorece a esperteza, a avareza e os sem remorsos.

Há dias encontrei-me num churrasco, – churrasco não, grelhada segundo o reverendo da igreja do semântico churrasco em chamas, – com um vegetariano passivo-agressivo acabadinho de chegar da terra santa da quinoa, berrava ele “Todos pecadores!” Outro que aprendeu línguas! O grande espírito não anda contente e ameaça fogo e brasas aos carnívoros. Tardiamente juntou-se-lhe outro pastor solitário de ovelhas, igual ao anterior com a diferença de abocanhar a carne e qual pendura que conduz melhor do que quem vai ao volante, não só exigiu carne acabadinha de churrascar, como empreendeu a tarefa de fazer a vida negra ao mestre grelhador, sal só de um lado, fura a carne senão incha, vira com o espeto porque a espátula não é higiénica, controla o lume senão os sucos da carne secam e fere o caramelizado. Vários tipos de furões que farejam um rasto de proletariado, ratoneiros que trazem no regaço uma fábula libertadora e tem prazer oral ao xuxar nos úberes federalizados da comunidade dirigida por uma mole de iluminados.

Quanto à felicidade, é um sorriso!

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