Nos bordéis de Lisboa todas as meninas são miguelistas

«Portugal sofre uma das crises mais dolorosas e exigentes. De facto existem vários tipos de choques económicos. Os piores vêm das guerras, que arruínam a própria sociedade. Existem também recessões por catástrofes, carestias, obsolescências, mudanças de hábitos. A mais irritante é a crise financeira, que aperta o cinto para pagar tolices da euforia anterior.(…)

Mas muito pior que a dimensão do encargo são os enviezamentos que o delírio impôs na estrutura produtiva. Nos anos de loucura muita gente trabalhou em actividades rentáveis apenas por endividamento; muitas empresas faziam negócios porque os clientes se empenhavam. Nisto os gastos do sector público destacam-se, mas havia muito mais. O resultado é que boa parte da nossa economia é balofa, produzindo a preços exagerados coisas que ninguém quer.

Assim o que hoje se sofre não é apenas a travagem de consumo gerada pela austeridade financeira. Largas centenas de milhar de trabalhadores terão de mudar de vida, porque os seus empregos artificiais nunca vão voltar, mesmo que o crescimento retome. Milhares de empresas têm de fechar ou mudar de sector porque o negócio acabou. Importante percentagem da sociedade terá que encontrar actividades realmente úteis. Portugal sofre uma das crises mais dolorosas e exigentes: a forçada reestruturação de quase vinte anos de distorção produtiva.»

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