Elegante alfinete

«Gosto de ver as raparigas da minha geração (35-40) a brincar ao Sexo e a Cidade. Em regra, as mulheres vaidosas aborrecem-me. As coquettes urbanas pós-Carrie Bradshaw, menos. Primeiro, porque trabalham (o meu primeiro julgamento, muitas vezes, é o moral). Depois, porque estão de facto bonitas, numa idade abençoada. E depois ainda, naturalmente, porque me trazem memórias do meu próprio processo de crescimento. São as raparigas do meu tempo – não consigo ficar-lhes indiferente.

Coisa distinta são as raparigas mais jovens, de 20, 25 ou mesmo 30 anos, a brincar ao Sexo e a Cidade. Podem ser lindas. Podem saber tudo sobre vestidos, cosméticos e perfumes. Podem ter um monte de amigos gay e fingir que nunca passaram pela Bobadela (nem sequer de táxi). Nada daquilo, porém, lhes é autêntico. Trata-se, em regra, de uma construção, porque as ansiedades da geração delas são radicalmente diferentes – e isso percebe-se na vacuidade dos seus blogs.

Uma rapariga de 20 ou 25 anos deve vestir-se de uma maneira bela-na-sua-fealdade. Tem uma pele razoável, mas com defeitos, exatamente como os cosméticos de linhas brancas. Gosta de perfumes, mas na verdade tem muito mais apreço pela criatividade e pelo seu exercício, que reparte por aquilo a que chama “projetos” – e, em cada três delas, há pelo menos uma desempregada e outra a tentar sobreviver através dos trabalhos manuais, costurando bonecas ou fazendo sabonetes com aromas orientais comprados em lojas divertidas

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