Retratos históricos

«Fernão Gomes era, no prazo estipulado de cinco anos, o arrematante por contrato, celebrado em Novembro de 1469, com Afonso V dos descobrimentos da costa africana a partir do Cabo de Palmas. As clausulas impunham-lhe, no decurso de cada ano, o descobrimento de 100 léguas de costa, considerando como início a Serra Leoa onde Soeiro da Costa e Pedro Sintra deram por findas as suas viagens.(…)Em 1493 a Capitania de S. Tomé, doada a Álvaro Caminha, conheceu os primeiros moradores permanentes. Estabeleceram-se estes apenas um pouco mais tarde no local onde a capital da ilha hoje se alicerça. Naturalmente que o objectivo requerendo uma fixação de gente branca, simultaneamente exigia uma população de cor, apta a resistir aos rigores do clima,(…) o resultado imediato foi o cruzamento de mulheres negras com naturais metropolitanos recém vindos. Deste castiçamento se obteve uma classe abastada. Sobressaiu um predomínio vinculado de tal mestiçagem, ainda actualmente aceite pelas populações radicadas na Ilha.»

«Em 1517, S. Tomé, orgulhava-se, tal como o Príncipe, da sua produção de açúcar. O gado concentrava-se nos pastos acessíveis e abundantes. Já, então, na ilha, se contavam muitos moradores de cor negra, que, em virtude da sua actividade, tinham amealhado verdadeiras fortunas. Destacava-se entre todos eles um preto muito idoso de nome João Menino. Anos volvidos, D. João III, que não perdia de vista o Brasil, em 19 de Maio de 1524 outorgava foral aos habitantes são-tomenses. Desfrutaram estes, por via disso, de isenções especiais. Compensação oportuna se afigurou, se sopesarmos o largo e fecundo esforço despendido e o tenaz e diligente espírito de abnegação patente em todas as suas emergências e actos.»

«Data de 1507 o hospital de Moçambique, «üa casa grande em modo de esprital pêra agasalhar os doentes, que ordinariamente havia no tempo que as naus ali invernavam»; «huma casa grande com grande varanda de trás, e casa apartada pêra o enfermeiro, e outra pêra botica, e aposento do mestre, em que metterão os doentes em cateres que se fizerão». Cem anos depois, Fr. João dos Santos informava que, junto da fortaleza velha, havia «um hospital, onde se curam todos os enfermos que adoecem na terra, e os que vem de fora a este porto, assim da Índia como de Portugal. O que se faz com muita caridade e deligencia. D’este hospital tem cuidado o provedor e irmãos da Misericórdia, mas o gasto d’elle é à custa d’El Rei».»

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