Nem tudo se diz

«Conversávamos sobre o que escrevi dias atrás – “A segunda grande mola”-  veio ele com a confidência de que, tirante as duas de quem enviuvou, mal passa da meia dúzia o número das mulheres que levou para a cama.
– Para sessenta anos de vida, e nos dias de hoje, é pouco – conclui.
– Não é muito.
– E só de uma tenho saudades.
Aguardo a confidência, ele perdido sabe-se lá em que recordações, dando a impressão que vai falar, depois fazendo um trejeito de arrependimento, os olhos na colher que tirou da xícara. Finalmente, a partilhar o monólogo interior em que se demorara:
– Não, nem era bonita. Mas foi a única…
Detém-se, força o sorriso, encolhe os ombros numa desculpa:
– Não sei como aguento!
Sei-o eu, sabe-o ele também, mas é entre amigos que nem tudo se diz.»

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