E maça o porco

“É escusado. Cada português que se preza é uma muralha de suficiência contra a qual se quebram todas as vagas da inquietação. Conhece tudo, previu tudo, tem soluções para tudo. E quando alguém se apresenta carregado de dúvidas, tolhido de perplexidades, vira-lhe as costas ou tapa os ouvidos. Um mínimo de atenção ao interlocutor seria já uma prova de fraqueza, uma confissão de falibilidade. Quanto mais apertado o seu horizonte intelectual, mais porfia na vulgaridade das certezas que proclama. Não à maneira humilde e cabeçada dos que se limitam a transmitir sem análise um saber ancestral, mas como um presumido doutor, impante de mediocridade.” in Diários 25 de Janeiro de 1979, Miguel Torga.

Somos peritos em justificar a própria inércia e facilmente criamos um sem número de razões para evitar sair do perimetro de conforto.

Ensinar o porco a cantar não vale a pena, não se vai a lado nenhum e maça o porco.

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